segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Les Trois Étoiles...

Não faz muito tempo que eu caí na realidade de que trabalho em um dos melhores restaurantes do mundo.
Faço parte de uma brigada de cozinha em que todo jovem cozinheiro gostaria de participar.
Meu chef foi premiado com 3 estrelas Michellin, ou seja o máximo de qualificação possível para um restaurante, não existe mais que isso.

Sempre achei que como existem vários restaurantes três estrelas na Europa e no mundo isso não devia ser assim, tão magnânimo... especial e importante sim, mas não mais que isso. Grande erro meu.
Conquistar as 3 estrelas (que aqui eles chamam também de 3 macarrons) não é para qualquer um, e também não é coisa que se faça do dia pra noite, são anos e anos de trabalho duro, de dedicação, de atenção aos mínimos detalhes.

Eu me dei conta da importância desses macarrons o dia que algumas portas começaram a se abrir por conta das minhas referências, quando percebi que as 3 estrelinhas na bagagem facilitam muitas coisas, e claro que isso tem um porquê. Não é a toa que o restaurante estrelado tem tanto prestígio, ele faz por merecer. O investimento profissional e financeiro é dia após dia, incansável e imensurável.
Talvez quem esteja de fora (como eu no principio) não consiga perceber as coisas nos mínimos detalhes, como por que o chefe é tão duro e exigente (não é porque ele não tem coração), por que tudo o que você faz não é bom o bastante se não for perfeito, porque é necessária tanta atenção para fazer coisas simples, por que tanto luxo à mesa se o que importa mesmo é o sabor dos alimentos, e claro por que tudo é tão absurdamente caro!

Agora acho que tenho algumas respostas, e estou feliz de estar nesse meio e nesse momento, no auge. Pois sei que não foi sempre assim, o princípio foi extremamente duro, até fazer com que as portas se abram sozinhas é preciso dar muitas voltas. Espero um dia alcançar o sucesso dos meus chefes, não da maneira deles, mas espero chegar lá, pois o primeiro passo já foi dado.

sábado, 27 de novembro de 2010

A neve

Nevou!!
Nem acreditei quando vi.. ver a neve pela primeira vez (depois de adulto), acho que deve ser como quem vê o mar pela primeira vez. É mágico!
E como sempre as coisas mágicas têm o elemento surpresa que torna tudo ainda mais inacreditável.
Eu acordei pela manhã para ir trabalhar e ainda meio dormindo abri a janela, e que surpresa... tudo estava branco! Simplesmente BRANCO e muito branco... olhei para os lados, abri a porta do quarto, procurei alguém pra me certificar que eu não estava sonhando.. porque tudo era branco como num sonho mesmo... não encontrei ninguém.. e não me contive, como uma criança comecei a dar pulinhos.. neve!! é neve!!!!
Engraçado que eu já esperava por isso, eu sabia que uma hora ou outra ia nevar.. eu vi na previsão do tempo, as pessoas falaram, mas eu não tinha acreditado.. até então pra mim neve era mesmo coisa de filme!
Como pode nevar?? mas nevou... e foi bem como todo mundo fala.. a neve é bonita.. gelada.. não tem gosto..  os floquinhos são como nos desenhos, perfeitos, lindos... e descongelam ao tocar no nosso corpo..
Foi um dia que vai ficar pra sempre na minha memória...
e por um bom tempo meus colegas de trabalho vão lembrar (pois grandes emoções são contagiantes) do quanto encantada e eufórica eu fiquei com a  neve.. como alguém que conhece uma coisa muito especial, e uma coisa que não é sua e nem de ninguém, algo bonito e especial como uma festa em que todos podem participar.

As cores:
Quando cheguei na França, tudo por aqui era incrivelmente verde! Sim porque moro num lugar isolado e tem bosque para todos os lados..  o verde não me chocou.. achei bonito e familiar.
Mas tudo mudou quando veio o outono e as cores do momento eram marrom e amarelo.. bem amarelo, isso já não me era habitual, achei bonito... ver as folhas caido das árvores foi extraordinário..
No entanto, eu ainda não tinha visto tudo...
Depois que cairam todas as folhas a paisagem ficou cinza.. triste. Sem graça e sem vida.
(como numa novela.. tudo começa bem, depois aparecem os vilões, a história fica dramática, até que as coisas vão se ajeitando até chegar o final feliz)
Então (é aí que as coisas começam a de ajeitar, mudam-se os papéis.. vem os elementos surpresa) nevou! e a cor dominante é  agora o branco.
O desfecho dessa minha novelinha vai ser na primavera, com todas as cores que se tem direito.

sábado, 6 de novembro de 2010

Bourgogne


Tem certas coisas na vida que realmente não têm preço.
Estar entre amigos é uma delas.

Foi assim que coemeçei mais uma maravilhosa semana de férias.. (bem diferente da anterior que passou durante o verão e eu estava "toute seule" sozinha).

Na terça-feira ao meio dia partimos daqui e fomos de carro até a cidade de Beaune, onde nos instalamos em um hotel bastante simpático, depois jantamos em um excelente restaurante, onde tive o prazer de tomar os melhores vinhos que pude conhecer em minha vida.

Para a entrada um vin blanc, Bourgogne, Domaine Grange des Peres 2004 e uma deliciosa sopa de cogumelos, ao prato principal tivemos Ris de veau avec truffes (muita trufa!) e um tinto Clos de Bourgogne 2003. Parfait!
Acho que foi por isso que escolhi fazer cozinha como profissão... o prazer de estar à mesa com bons vinhos e boa comida é outra das coisas que não tem preço (bom.. na verdade tem um certo preço, mas sempre vale cada centavo se a comida é boa).
Torta de pêras para a sobremesa.

No dia seguinte maratona de degustação! Foram 4 Domaines (vinícolas), mas em cada uma degustamos em torno de 10 vinhos... a primeira visita a vinícola foi as 10h da manhã e a última as 4 da tarde. Ao fim estava verdadeiramente cansada. Mas era aniversário do Alejandro, então ainda fomos a um bar, assistimos jogo de futebol, como ele queria.

Como o café-da-manhã do hotel era maravilhoso aproveitamos para forrar bem o estômago para o segundo dia de degustações.. mas 3 vinícolas e uma cave de Whisky.
Nem sei como descrever.. foi simplesmente maravilhoso! Muito proveitoso profissionalmente.. e claro, divertido pela companhia dos amigos e por estar fazendo algo que ao mesmo tempo me toca como trabalho e como prazer (essa é outra das coisas que não tem preço).

Para o terceiro dia, nada de degustações.. apenas passeamos um pouco pela cidade, fomos a um museu "Hospice de Beune" que foi um hospital no século XIV e tem os espaços bem conservados e uma arquitetura gótica de fazer brilhar os olhos.

E foi isso, da Bourgogne eu trouxe na bagagem uma rolha de um vinho muito especial, produzido em 1988 que o proprietário da vinícola Bruno Claire gentilmente nos proporcionou degustar.