Minha mãe anda descrevendo essas férias melhor que eu.. com mais fotos e detalhes, e sabe que escrevemos num estilo bem próximo também..
Acaba que se eu for descrever tudo vou repetir tudo o que ela tem dito, então indico como leitura o seu blog: www.joloureiro.blogspot.com
Vou apenas marcar os fatos que ela não descreveu ou que eu acho relevante de uma maneira distinta.. sendo eles:
A Alemanha passou bem longe do que nós esperávamos.. visto que guardamos a lembrança de uma Alemanha Utópica, vinda das descrições de nossos antepassados que viveram naquele país 2 séculos atrás... é um belo país, sem dúvidas. Muito limpo, organizado, impecável eu diria. Mas um tanto frio também... a começar pelo idioma, que nos parece muito ríspido, e depois pela postura das pessoas, sempre extremamente sérias.
Da Holanda, bem, posso dizer que não foi muito diferente do que eu esperava.. na verdade nem tinha entendido bem o interesse turístico dos meus pais naquela país em pleno inverno (sem os jardins de tulipas e todo aquele colorido dos cartões postais), mas tudo bem. A visita valeu mesmo pelos 2 incríveis museus que visitamos, Madame Trussaud (com os personagens de cera) e Museu Van Gogh, com o maior acervo do artista.
Claro que é sempre interessante conhecer um país diferente.. e observar as grandes mudanças de um lugar para outro, mesmo tendo andado poucos quilometros. De semelhança Holanda e Alemanha só tem o frio e as pessoas altas e claras.
Não posso deixar de falar da Suíça. Quando cheguei naquele país me apaixonei. Primeiro pela beleza, depois porque me senti na praia ao olhar o lago Léman, que me encantou como o mar me encanta, e depois pela comunicação fácil e agradável, afinal isso aconteceu depois de uma temporada apanhando até para pedir água na Alemanha e Holanda, e de repente, num passe de mágica o idioma era macio, falava-se francês e italiano com um sotaque despretencioso.
A Suíça é um país que eu podia muito bem ter desejado conhecer, mas nunca esteve no top 10 dos meus planos, e agora me pergunto porquê não?
Sim, pois é um dos lugares mais lindos do mundo! Os alpes!! Ah, maravilha da natureza... só tinha visto isso antes em propaganda de chocolate e pasta de dente! E então eles estavam logo ali na minha frente... A chegada por Genebra, contornando aquele gigantesco lago até Lausanne, eu me senti chegando na praia, e como eu amo a praia.. o hotel em que ficamos se localizava numa estação de esqui, mas tinha cara de hotel de praia! Era muito quente dentro do "complexo" do hotel, tinha piscina, sala de jogos... o quarto era decorado com motivos do mar!! me senti como quando tinha 10 anos e ia para a praia com os pais e ficávamos aproveitando o dia sem pressa, admirando a beleza do lugar, mudando de ritmo.
Afinal, mudamos de ritmo, depois de semanas dormindo tarde e acordando cedo para conquistar o mundo, tudo o que fazíamos em Torgon era aproveitar o hotel, passear um pouquinho, ir almoçar.. ir jantar.. sem pressa.
Detalhe.. isso não estava nos planos! Aconteceu porque o acesso a estação de esqui, advinha? É pelos alpes.. é preciso subir, subir, e ainda subir muito mais... ou seja, pelo menos 1hora até a cidadezinha mais próxima, o que acabou inviabilizando alguns passeios. Mas proporcionou uma nova surpresa, pois a hora que cansamos de descansar fizemos as malas e partimos para o lugar mais próximo.
E lá estava eu na Itália de novo! Eu desejei tanto conhecer esse país que as coisas conspiraram a meu favor! Primeiro eu planejei e executei as férias românticas em Veneza e Roma, depois ganhei de brinde dois dia em Gênova com minha família. Foi o máximo!
Gênova é ainda mais legal que Roma e tem mais coisas para fazer que Veneza. E fica no Mediterrâneo! Pronto... lá estava na praia de novo.. nem deu pra pisar na areia, mas tivemos um jantar incrível sobre o Mediterrâneo. Fomos ao Aquário da cidade, parecido com aquele de Barcelona que eu tinha ido e desde então queria levar meus pais e principalmente a Sabrina pra conhecer.. ver todos os animais marinhos, bem de pertinho!
Penúltima escala e não menos importante: Nice (França) e Mônaco!
Mônaco é sinônimo de glamour. O lugar mais chic do mundo, ganha de Paris, e de todas as cidades que já conheci no quesito elegância. Todo é perfeito nessa cidade/país, tudo é lindo, impecável, é um jardim da realeza, onde pode-se entrar, fazer compras, olhar tudo, passear, comer, fazer a pé o circuito de formula 1... e claro, tirar muitas fotos pra sair exibindo depois! Fechamos com chave de ouro as férias.
Última parada: Strasbourg, o lugar do começo e do fim. O fim das férias e a despedida, o recomeço do meu estágio e a minha volta pra casa.
Voltei com o coração na mão e as lágrimas entaladas na garganta mais uma vez. Foi por pouco que não pedi pra ir para o Brasil, foi muito grande a força que fiz para deixar meus pais na estação e tomar o rumo de Baerenthal mais uma vez.
Mas, fiz o que era preciso, e estou aqui, encarando a fase mais difícil do meu estágio: o fim.
Diário de viagem de uma jovem profissional de gastronomia, brasileira, que resolveu se aventurar no velho mundo e hoje habita em território francês. O relato das percepções, acontecimentos, alegrias e percalços transcorridos durante nove meses de estágio num restaurante 3 estrelas...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Saint Valentin
14 de fevereiro é o dia dos namorados aqui na França, o que significa que ontem o clima era esse, festejar o amor.
No restaurante fizemos uma sobremesa especial para a data: uma releitura da maçã do amor e um bolinho de baunilha, frutas vermelhas e sorbet.. com direito a corações de confiture no prato.. coisa mais linda!
E não foi só isso.. Fui a Metz para atualizar meus documentos de imigração e pelas ruas os que se via era homens (de todas as idades) comprando flores... Casais apaixonados nos restaurantes, nas ruas, em toda a parte.
As vitrines das lojas decoradas com muito vermelho, corações e idéias para presentes... senti falta de não poder comemorar essa dia também, já que mesmo tendo namorado ele está longe, e mesmo repetindo 3 vezes pra ele que era dia dos namorados não ganhei nem uma declaração especial pela data (ele não deu a menor importância)... fiquei só observando o romance alheio, que me deixou meio comovida.
Mas vou esperando que 12 de junho chega a minha vez...
No restaurante fizemos uma sobremesa especial para a data: uma releitura da maçã do amor e um bolinho de baunilha, frutas vermelhas e sorbet.. com direito a corações de confiture no prato.. coisa mais linda!
E não foi só isso.. Fui a Metz para atualizar meus documentos de imigração e pelas ruas os que se via era homens (de todas as idades) comprando flores... Casais apaixonados nos restaurantes, nas ruas, em toda a parte.
Mas vou esperando que 12 de junho chega a minha vez...
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Bélgica
Mas não foi só ela que curtiu o passeio, pois além da arquitetura deslumbrante e de todo o charme da cidade, nos acabamos com os deliciosos chocolates e descobrimos as cervejas belgas (saborosíssimas!).
Em Bruxelas fomos ao famoso Atomium, um projeto arquitetônico muito especial, o cartão postal da cidade, construído nos anos 50, coisa difícil de acreditar, devido a grandiosidade da obra, super-contemporânea... Em seguida mais moules et frites, mais chocolate, uma pausa para o melhor waffle do mundo, fotos nas belas praças, caminhada pelas galerias e a certeza que a Bélgica deixará saudades.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Bordeaux
Para sair um pouco dessa estressante Paris tiramos o dia seguinte para conhecer Bordeaux, uma bela e encantadora cidade que nos devolveu a motivação perdida, nos deu ânimo e repouso.
Não pudemos conhecer nenhuma vinícola, mas o passeio pela cidade foi ótimo e ainda levamos umas garrafa de vinho, alguns queijos e uma baguete para a viagem de volta que foi deliciosamente divertida, nós quatro bem juntinhos, contando histórias e rindo até sentir dor nas bochechas. Os vizinhos do vagão do trem que não devem ter se divertido muito, mas azar o deles, não é todo dia que temos momentos tão simples e gostosos, ainda mais tão longe de casa.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Terceira parte: Paris
Obs: Estou contando as férias em capítulos, mas faço intervalos para postagens do cotidiano, sinto pela desordem, mas como isso não é um livro, creio que não seja nenhuma falta grave, e nem que dificulte a compreensão... mas desculpo pela desordem
Paris - o amor
Saimos da adorável Roma no fim da tarde em direção a Paris, onde não tinhamos hotel pra ficar nem nada planejado, mas como chegamos no mesmo aeroporto de onde dali apenas 2 dias o Alex partiria, achamos de bom senso ficar num hotel próximo.. nem que isso custasse um certo trabalho para ir passear no dia seguinte.
Foi uma boa escolha. Como chegamos já era de noite, tudo o que conseguimos fazer foi jantar no próprio hotel e tentar descansar para aproveitar bem o último dia juntos.
Pela manhã, um belo café e fomos nós, rumo ao centro de Paris. A primeira atração foi a Torre Eiffel, tiramos fotos, admiramos e seguimos para o Senna, quando estávamos os dois juntinhos, abraçadinhos, tentando fugir da chuva fina que caía, uma pessoa que passou cantou para nós um trecho da musica "When a man loves a woman" de Percy Sledge, entendemos a fama do romantismo de Paris. Éramos um casal apaixonado, o mais belo casal apaixonado do mundo... ah, que doce sentimento. Como o amor nos faz sentir leves e felizes, como essa música nos fez sorrir e nos amar ainda mais por estarmos juntos naquele momento, por nos permitirmos essa alegria toda um ao outro.
Essa foi a melhor lembrança que guardo de Paris, foi mais intenso que subir a famosa torre, mais belo que todos os jardins floridos da capital francesa e ainda mais emocionante que estar no Louvre ou em qualquer igreja centenária. Aquela manhã cinzenta e chuvosa não poderia ser mais linda.
O dia que começou muito bem mudou um pouco ao passar das horas, depois do meio dia fomos sendo vencidos pelo cansaço, a chuva só aumentava, o frio ia nos deixando irritados, sem falar que tínhamos apenas mais uma noite, e depois nos veríamos distantes novamente, por um longo período. Pensar nisso fazia mal, acabava com aquela alegria toda, pois o amor só é bom quando podemos vivenciá-lo, estar distante da pessoa amada traz uma dor amarga, e já estava tão perto da partida...
Já não sabíamos direito como agir, fomos deixando as gentilezas de lado para sermos frios o bastante e encarar naturalmente essa ruptura. Foi assim, na manhã seguinte nos despedimos sem choro, mas com o coração na garganta.
Paris - a família
Assim que ele entrou na sala de embarque eu tive vontade de chorar, mas não chorei, eu sabia que seria difícil, mas esse não era o fim, e se não é o fim eu não tinha porquê chorar.
Mesmo com um nó na garganta que me sufocava e segui a diante eu fui pegar o trem para encontrar meus pais que chegariam dali algumas horas no outro aeroporto, o que me fez cortar toda a cidade em uma viagem de 2 horas de trem e metrô.
Foi a minha sorte, a minha alegria e o meu consolo. Não poderia estar triste (mesmo que o motivo fosse nobre) no encontro com meus pais e minha irmã que eu não via a tantos meses.
Depois de horas de espera (eu cheguei cedo e eles atrasaram), finalmente o avião estava no solo, e logo pude dar aquele abraço em meu pai, mãe e irmã.
Com eles descobri uma nova Paris, que não era aquele paraíso luxuoso e florido de quando estive lá pela primeira vez (sozinha, em junho), nem aquela cidade romântica e chuvosa do dia anterior. Com eles Paris era vibrante, grande, cultural e bela.
Fomos a diversos museus, fizemos compras, comemos as comidas típicas e degustamos uma boa quantidade dos deliciosos vinhos franceses, nos acabamos de tanto rir com as pequenas bobagens do dia a dia.
Os dias com eles eram sempre longos, o que me deixava impressionada, era uma energia incrível, acordávamos sempre muito cedo e só voltávamos para o hotel depois das 10 da noite. A organização dos meus pais foi outra coisa que me surpreendeu, eles tinham estudado cada canto da cidade e feito um detalhado planejamento dos dias, cada lugar onde ir, onde comer, as horas do dia demarcadas pelos pontos turísticos.
Claro que no fim das contas Paris também os surpreendeu, e se revelou muito maior do que contam os livros, o roteiro da viagem não foi de todo respeitado, mas deu as diretrizes, pois vez ou outra a cidade luz oferecia algumas surpresas, como um museu fechado ou um belo dia de sol em pleno inverno.
Na metade da estadia em Paris sofremos um grande abalo, fomos furtados enquanto tomávamos um café... quem diria, ter seus pertences roubados em plena Europa! Justo nós, pobres turistas brasileiros.. tão desavisados!
Depois daquele dia a cidade ficou estranha, parecendo perigosa e vimos nosso entusiasmo foi levado junto com a mochila.
Paris - o amor
Saimos da adorável Roma no fim da tarde em direção a Paris, onde não tinhamos hotel pra ficar nem nada planejado, mas como chegamos no mesmo aeroporto de onde dali apenas 2 dias o Alex partiria, achamos de bom senso ficar num hotel próximo.. nem que isso custasse um certo trabalho para ir passear no dia seguinte.
Foi uma boa escolha. Como chegamos já era de noite, tudo o que conseguimos fazer foi jantar no próprio hotel e tentar descansar para aproveitar bem o último dia juntos.
Essa foi a melhor lembrança que guardo de Paris, foi mais intenso que subir a famosa torre, mais belo que todos os jardins floridos da capital francesa e ainda mais emocionante que estar no Louvre ou em qualquer igreja centenária. Aquela manhã cinzenta e chuvosa não poderia ser mais linda.
O dia que começou muito bem mudou um pouco ao passar das horas, depois do meio dia fomos sendo vencidos pelo cansaço, a chuva só aumentava, o frio ia nos deixando irritados, sem falar que tínhamos apenas mais uma noite, e depois nos veríamos distantes novamente, por um longo período. Pensar nisso fazia mal, acabava com aquela alegria toda, pois o amor só é bom quando podemos vivenciá-lo, estar distante da pessoa amada traz uma dor amarga, e já estava tão perto da partida...
Já não sabíamos direito como agir, fomos deixando as gentilezas de lado para sermos frios o bastante e encarar naturalmente essa ruptura. Foi assim, na manhã seguinte nos despedimos sem choro, mas com o coração na garganta.
Paris - a família
Assim que ele entrou na sala de embarque eu tive vontade de chorar, mas não chorei, eu sabia que seria difícil, mas esse não era o fim, e se não é o fim eu não tinha porquê chorar.
Mesmo com um nó na garganta que me sufocava e segui a diante eu fui pegar o trem para encontrar meus pais que chegariam dali algumas horas no outro aeroporto, o que me fez cortar toda a cidade em uma viagem de 2 horas de trem e metrô.
Foi a minha sorte, a minha alegria e o meu consolo. Não poderia estar triste (mesmo que o motivo fosse nobre) no encontro com meus pais e minha irmã que eu não via a tantos meses.
Depois de horas de espera (eu cheguei cedo e eles atrasaram), finalmente o avião estava no solo, e logo pude dar aquele abraço em meu pai, mãe e irmã.
Fomos a diversos museus, fizemos compras, comemos as comidas típicas e degustamos uma boa quantidade dos deliciosos vinhos franceses, nos acabamos de tanto rir com as pequenas bobagens do dia a dia.
Os dias com eles eram sempre longos, o que me deixava impressionada, era uma energia incrível, acordávamos sempre muito cedo e só voltávamos para o hotel depois das 10 da noite. A organização dos meus pais foi outra coisa que me surpreendeu, eles tinham estudado cada canto da cidade e feito um detalhado planejamento dos dias, cada lugar onde ir, onde comer, as horas do dia demarcadas pelos pontos turísticos.
Claro que no fim das contas Paris também os surpreendeu, e se revelou muito maior do que contam os livros, o roteiro da viagem não foi de todo respeitado, mas deu as diretrizes, pois vez ou outra a cidade luz oferecia algumas surpresas, como um museu fechado ou um belo dia de sol em pleno inverno.
Na metade da estadia em Paris sofremos um grande abalo, fomos furtados enquanto tomávamos um café... quem diria, ter seus pertences roubados em plena Europa! Justo nós, pobres turistas brasileiros.. tão desavisados!
Depois daquele dia a cidade ficou estranha, parecendo perigosa e vimos nosso entusiasmo foi levado junto com a mochila.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Carnaval
Já é carnaval e nem me dei conta disso.. ah, se estivesse no Brasil as coisas seriam diferentes!!
Agora seria feriado e desde um mês atrás ouviria todos falando nisso, fazendo planos para viajar, descansar, festar...
Aqui o carnaval não é de todo esquecido, mas nem parece que é a mesma data festiva, porque fora o nome, de resto tudo é diferente.
No restaurante já faz 2 semanas que servimos "beignets" antes da sobremesa aos clientes, que pelo que eu percebi é uma tradição de carnaval. O beignet é feito de massa doce, frito e povilhado de açúcar e canela, lembra muito o nosso sonho, mas é pequeno e sem recheio, com confit de limão, é algo na verdade que fica entre o bolinho de chuva e o sonho.
Fora isso o carnaval não tem nenhuma outra relevância, não há festa nem feriado, pessoas vestidas com plumas cantando e dançando então? É só em documentário na tv, ou talvez passe no noticiário da noite alguns flashs do espetáculo de carnaval do Rio.
E tudo segue, sem muita festa, sem nenhuma comoção.
"É preciso trabalhar. Festa é para aquele povo pobre, subdesenvolvido que sabe rir da vida como ninguém, que brinca o carnaval, que trabalha o ano todo pensando nas próximas férias, que diz que tá doente pra passar o dia na praia... ah essa povo que faz piada da própria desgraça, que não tem vergonha na cara de sair nu pela rua, cobertos apenas com plumas como se fossem índios em pleno século XXI, que fazem da vida uma coisa tão engraçada que nem se preocupam em ter o carro mais novo nem a última bolsa da Chanel, que se contentam com bijuterias, água de coco e feijão com arroz!
Essa gente esquisita que faz piada só pra divertir e não pra humilhar, que faz samba, que batuca panela, caixote e latão de lixo, esse povo que tem uns nomes diferentes que não adianta nem tentar pronunciar, essas marias, todos os que se chamam Jair, Severino, Cláudia, José.. lá onde nome ou é pra mulher ou é pra homem, e não serve para os dois sexos. Lá onde as mulheres gostam de ser mulheres e os homens se orgulham de serem machos, povo tão primitivo... tinham mesmo que ter um festa para exaltar essa selvageria toda."
É mais ou menos o que pensam os franceses seu eu estiver certa... Sei que é feio generalizar e a maioria nunca pensou nesse assunto dessa forma, mas fazendo uma caricatura verde-amarela e outra rouge-bleu, cheguei a essa idéia pra lembrar do carnaval, que mesmo não sendo minha festa preferida, sempre apareceu marcada em vermelho nos meus calendários.
Agora seria feriado e desde um mês atrás ouviria todos falando nisso, fazendo planos para viajar, descansar, festar...Aqui o carnaval não é de todo esquecido, mas nem parece que é a mesma data festiva, porque fora o nome, de resto tudo é diferente.
No restaurante já faz 2 semanas que servimos "beignets" antes da sobremesa aos clientes, que pelo que eu percebi é uma tradição de carnaval. O beignet é feito de massa doce, frito e povilhado de açúcar e canela, lembra muito o nosso sonho, mas é pequeno e sem recheio, com confit de limão, é algo na verdade que fica entre o bolinho de chuva e o sonho.
Fora isso o carnaval não tem nenhuma outra relevância, não há festa nem feriado, pessoas vestidas com plumas cantando e dançando então? É só em documentário na tv, ou talvez passe no noticiário da noite alguns flashs do espetáculo de carnaval do Rio.
E tudo segue, sem muita festa, sem nenhuma comoção.
"É preciso trabalhar. Festa é para aquele povo pobre, subdesenvolvido que sabe rir da vida como ninguém, que brinca o carnaval, que trabalha o ano todo pensando nas próximas férias, que diz que tá doente pra passar o dia na praia... ah essa povo que faz piada da própria desgraça, que não tem vergonha na cara de sair nu pela rua, cobertos apenas com plumas como se fossem índios em pleno século XXI, que fazem da vida uma coisa tão engraçada que nem se preocupam em ter o carro mais novo nem a última bolsa da Chanel, que se contentam com bijuterias, água de coco e feijão com arroz!
Essa gente esquisita que faz piada só pra divertir e não pra humilhar, que faz samba, que batuca panela, caixote e latão de lixo, esse povo que tem uns nomes diferentes que não adianta nem tentar pronunciar, essas marias, todos os que se chamam Jair, Severino, Cláudia, José.. lá onde nome ou é pra mulher ou é pra homem, e não serve para os dois sexos. Lá onde as mulheres gostam de ser mulheres e os homens se orgulham de serem machos, povo tão primitivo... tinham mesmo que ter um festa para exaltar essa selvageria toda."
É mais ou menos o que pensam os franceses seu eu estiver certa... Sei que é feio generalizar e a maioria nunca pensou nesse assunto dessa forma, mas fazendo uma caricatura verde-amarela e outra rouge-bleu, cheguei a essa idéia pra lembrar do carnaval, que mesmo não sendo minha festa preferida, sempre apareceu marcada em vermelho nos meus calendários.
Segunda parte: Roma
Onde parei? em Veneza.. saímos bem cedinho, a tempo de ver o sol nascendo no aeroporto, que por falar nisso, foi um lindo nascer do sol, maravilhosa despedida.
Chegando a Roma foi muito fácil nos localizar, uma vez que já estamos falando italiano igual os atores da novela!
Fomos ao Coliseu e Vaticano, percorremos quase toda a cidade a pé, tivemos sorte de não pegar um tempo muito frio, nem muito chuvoso. Conhecemos algumas igrejas e chegamos a assistir uma missa na basílica de Roma, que foi algo emocionante.

Comemos muitas massas e pizzas.. tomamos o famoso sorvete e vinho italiano, mas nos esbaldamos mesmo foi com o capuccino!! Ah, que delícia as pausas das caminhadas pela cidade para um capuccino, vez ou outra acompanhada de um docinho, ou uma fatia de panetone (outra delícia italiana da qual sou fã desde criancinha!).
Estar numa cidade assim tão antiga e tão importante nos faz pensar muito em história.. ficar buscando na mente as aulas do colégio e encaixando tudo o que estudamos com aquilo vemos, entender certos detalhes que tinham passado batidos durante os estudos e descobrir ainda mais sobre a transformação e evolução das cidades.
Viajar devia fazer parte do plano escolar... aprendemos tanto saindo das nossas casas e indo a outra parte, conhecendo outros costumes, outras cidades, os museus e a arquitetura que sensibilizam nosso lado artístico e criativo.
Sem falar na comida que pra mim é sempre um capítulo especial, dado o fato de ela fazer parte do meu trabalho do meu prazer.
Roma foi assim, uma descoberta, onde passamos felizes dias entre suas ruas, monumentos, fontes, igrejas, piazzas e pontes.
Fomos ao Coliseu e Vaticano, percorremos quase toda a cidade a pé, tivemos sorte de não pegar um tempo muito frio, nem muito chuvoso. Conhecemos algumas igrejas e chegamos a assistir uma missa na basílica de Roma, que foi algo emocionante.
Comemos muitas massas e pizzas.. tomamos o famoso sorvete e vinho italiano, mas nos esbaldamos mesmo foi com o capuccino!! Ah, que delícia as pausas das caminhadas pela cidade para um capuccino, vez ou outra acompanhada de um docinho, ou uma fatia de panetone (outra delícia italiana da qual sou fã desde criancinha!).
Estar numa cidade assim tão antiga e tão importante nos faz pensar muito em história.. ficar buscando na mente as aulas do colégio e encaixando tudo o que estudamos com aquilo vemos, entender certos detalhes que tinham passado batidos durante os estudos e descobrir ainda mais sobre a transformação e evolução das cidades.
Viajar devia fazer parte do plano escolar... aprendemos tanto saindo das nossas casas e indo a outra parte, conhecendo outros costumes, outras cidades, os museus e a arquitetura que sensibilizam nosso lado artístico e criativo.
Sem falar na comida que pra mim é sempre um capítulo especial, dado o fato de ela fazer parte do meu trabalho do meu prazer.
Roma foi assim, uma descoberta, onde passamos felizes dias entre suas ruas, monumentos, fontes, igrejas, piazzas e pontes.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O trabalho
Reparei essa semana que tenho escrito muito mais sobre férias que nem parece que vim aqui pra trabalhar.
Então me sinto na obrigação de dar algumas palavras nesse momento tão próximo do fim do meu estágio.
Passei mais tempo esperando para estar aqui do que aqui de fato. Estou morando fora do meu país faz 7 meses, que por um lado me parecem anos, do tanto que vivi, cresci e aprendi aqui, mas por outro lado passaram como se fossem curtas semanas, pois o tempo correu enquanto eu estava encantada com todas essas novidades.
Gosto muito daqui, e sei que vou sentir muitas saudades, por isso mesmo já fico com o coração apertado em pensar na partida, e meio confusa, porque acabará mais uma fase da vida para dar espaço a algo novo e desconhecido.
Meu trabalho está repetitivo, já sei tudo o que tenho que fazer, compreendo bem o francês, mas sempre tenho algumas travas na hora de falar. Já começo a pensar que nunca falarei como os franceses, o que me impossibilita de me passar por um deles e me faz lamentar não ter tantas amizades por conta disso.
Cozinho todos os dias pratos muito sofisticados, cheios de identidade. Faço parte de um seleto grupo de pessoas que tem a obrigação de dar todo seu esforço diário para elaborar pratos incríveis dignos das 3 estrelas do chef.
Todas as manhãs vestimos os nossos aventais e o objetivo é fazer mais uma vez aquele prato maravilhoso para honrar um dia a mais as estrelas.
Acaba que escrevo mais sobre as férias porque tenho mais intimidade com elas do que com o trabalho, os momentos de folga me proporcionam mais assunto, e são mais fáceis de descrever.
Não gostaria de ficar detalhando a dureza que é o serviço, os detalhes da exaustão e do estresse que sinto, então supero essas partes e parto para o que há de mais interessante para contar.
Mas claro que o trabalho tem seu brilho e encanto também, o que acontece é que me sinto apenas mais uma engrenagem desse grande relógio, e acaba que é pouco o que posso dizer sobre as horas, já que passo tanto tempo ocupada em não deixar que nada pare nem de errado (mal lembro mais que dia é hoje).
Sobre os pratos, um dia eu conto, com detalhes sobre tudo, mas minha ordem prática não me permite isso agora.
E paro agora com tantos MAS, porque tenho que continuar a fazer tudo girar.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Primeira parte: Veneza
No dia 30 de dezembro saimos (eu e Alex) de Baerenthal com destino a Veneza, para chegar até lá pegamos taxi, trem, avião, só faltou mesmo barco.
Tirando toda a dificuldade que foi achar o hotel naquele emaranhado de ruazinhas que é Veneza, a cidade correspondeu bem as minhas expectativas.
Sempre sonhei conhecer esse lugar e foi encantador estar lá. Já de cara fazia bem menos frio do que onde eu moro, e tinha sol! Abençoado sol, apenas algumas horas por dia, mas ele estava lá!! Enfim um descanço dos dias cinza da Alsacia.
Também como tinha imaginado foi muito romântico estar com meu namorado nesse lugar onde tanto desejei estar. Veneza é linda e encantadora, com seus canais, gôndolas, pontes, praças e ruelas. Lá todos são pedestres, os carros não entram, o que dá uma certa atmosfera de vila, onde pode-se andar no meio da rua e ir para qualquer lugar caminhando.
Não fomos a muitos museus, porque a cidade em si já é a maior atração, andar por todo o lado e ir conhecendo Veneza bem devagarinho é apaixonante.
Nem precisaria dizer que passamos lá o reveillon, na Piazza San Marco, com nossas máscaras venezianas esperando os fogos e bebendo espumante italiano.
Para o primeiro dia do ano nos presenteamos com um espetáculo de orquestra, com direito a músicos em trajes antigo fazendo encenações e tudo.
No dia 2 de janeiro partimos bem cedo para Roma.
Sempre sonhei conhecer esse lugar e foi encantador estar lá. Já de cara fazia bem menos frio do que onde eu moro, e tinha sol! Abençoado sol, apenas algumas horas por dia, mas ele estava lá!! Enfim um descanço dos dias cinza da Alsacia.
Também como tinha imaginado foi muito romântico estar com meu namorado nesse lugar onde tanto desejei estar. Veneza é linda e encantadora, com seus canais, gôndolas, pontes, praças e ruelas. Lá todos são pedestres, os carros não entram, o que dá uma certa atmosfera de vila, onde pode-se andar no meio da rua e ir para qualquer lugar caminhando.
Não fomos a muitos museus, porque a cidade em si já é a maior atração, andar por todo o lado e ir conhecendo Veneza bem devagarinho é apaixonante.
Nem precisaria dizer que passamos lá o reveillon, na Piazza San Marco, com nossas máscaras venezianas esperando os fogos e bebendo espumante italiano.
Para o primeiro dia do ano nos presenteamos com um espetáculo de orquestra, com direito a músicos em trajes antigo fazendo encenações e tudo.
No dia 2 de janeiro partimos bem cedo para Roma.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Recesso de férias
Bonjour!
Um mês sem escrever.
Estive em tantos lugares que vai ser impossível falar de todos em uma só postagem, então essa é só a introdução ao tema "As melhores férias da minha vida"
Nem sei se ta certo dizer queessas foram as melhores férias de uma vida toda (ainda que eu tenha apenas 22 anos), mesmo porque aqueles tempos da praia de Piçarras são incomparáveis, e as viagens de setembro por Portugal e Espanha também foram incríveis, mas é como se isso tudo fosse o prólogo dessa história.
Explicação:
Já em Piçarras eu descobri que férias pra mim era em frente ao mar, e que a presença das pessoas amadas tornava tudo mais divertido (essa parte eu ainda não tinha consciência, porque quando se é criança a companhia dos familiares é óbvia). Fora isso, como boa brasileira descobri o quanto gosto de férias, de como é bom mudar de endereço pelo menos uma vez no ano, viajar, passar horas dentro do carro bem juntinho com as pessoas mais importantes do mundo.
Em setembro passado aprendi a me virar sozinha, ser minha própria guia, aprendi a ler mapas e atender os meus desejos. Ser cem por cento responsável por todos meus erros e acertos. Descobri como estar sozinha pode ser muito interessante, mas também descobri que não é a companhia de alguém pra resolver qualquer problema que faz falta numa viagem, e sim a presença de alguém importante e interessante pra dividir as belas coisas e poder dar boas risadas.
Voltando ao tema:
As minhas férias começaram mesmo no dia 30 de dezembro, mas antes disso teve o Natal, que foi um acontecimento muito especial este ano. Estive longe da família mas perto de amigos muito queridos, tivemos um jantar especial no restaurante, com direito a troca de presentes, comida de primeira e ótimos vinhos. Sem contar as boas risadas que demos.
Tive também a felicidade da vinda do meu namorado para cá. Que passou uma dura semana aqui nessa cidade em que não tem nada pra fazer, enquanto eu trabalhava exaustivamente e a neve tomava conta de tudo.
Mas em compensação fomos convidados a almoçar no restaurante onde trabalho, que foi um momento maravilhoso. Se comer num restaurante 3 estrela já é algo no mínimo extraordinário, fazer isso no restaurante onde você conhece todo mundo, com seus colegas tão queridos preparando tudo, é algo que não tem preço. (e do ponto de vista profissional poder ver o outro lado, e compreender porque as coisas são como são, ser o cliente, ver como os pratos chegam, fazer parte da festa como convidado depois de tanto tempo trabalhando como assistente).
O mês de dezembro foi o mais duro de todos (sem aquelas dificuldades de comunicação do inicio). Todos cansados, muito trabalho a fazer, a expectativa das férias, o planejamento das férias, mais trabalho, o frio, o cansaço cada vez maior. Os erros cometidos devido ao cansaço, o trabalho cada vez mais puxado. Por isso mesmo até foi difícil de escrever, me sentia todos os dias exausta demais pra fazer qualquer coisa que não fosse obrigatória.
Mas dia 29 de dezembro foi anunciado pelo chef: Férias!!! Divirtam-se e descansem que no ano que vem tem mais!
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