Então me sinto na obrigação de dar algumas palavras nesse momento tão próximo do fim do meu estágio.
Passei mais tempo esperando para estar aqui do que aqui de fato. Estou morando fora do meu país faz 7 meses, que por um lado me parecem anos, do tanto que vivi, cresci e aprendi aqui, mas por outro lado passaram como se fossem curtas semanas, pois o tempo correu enquanto eu estava encantada com todas essas novidades.
Gosto muito daqui, e sei que vou sentir muitas saudades, por isso mesmo já fico com o coração apertado em pensar na partida, e meio confusa, porque acabará mais uma fase da vida para dar espaço a algo novo e desconhecido.
Meu trabalho está repetitivo, já sei tudo o que tenho que fazer, compreendo bem o francês, mas sempre tenho algumas travas na hora de falar. Já começo a pensar que nunca falarei como os franceses, o que me impossibilita de me passar por um deles e me faz lamentar não ter tantas amizades por conta disso.
Cozinho todos os dias pratos muito sofisticados, cheios de identidade. Faço parte de um seleto grupo de pessoas que tem a obrigação de dar todo seu esforço diário para elaborar pratos incríveis dignos das 3 estrelas do chef.
Todas as manhãs vestimos os nossos aventais e o objetivo é fazer mais uma vez aquele prato maravilhoso para honrar um dia a mais as estrelas.
Acaba que escrevo mais sobre as férias porque tenho mais intimidade com elas do que com o trabalho, os momentos de folga me proporcionam mais assunto, e são mais fáceis de descrever.
Não gostaria de ficar detalhando a dureza que é o serviço, os detalhes da exaustão e do estresse que sinto, então supero essas partes e parto para o que há de mais interessante para contar.
Mas claro que o trabalho tem seu brilho e encanto também, o que acontece é que me sinto apenas mais uma engrenagem desse grande relógio, e acaba que é pouco o que posso dizer sobre as horas, já que passo tanto tempo ocupada em não deixar que nada pare nem de errado (mal lembro mais que dia é hoje).
Sobre os pratos, um dia eu conto, com detalhes sobre tudo, mas minha ordem prática não me permite isso agora.
E paro agora com tantos MAS, porque tenho que continuar a fazer tudo girar.
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